Nu Artístico Cotia / São Paulo

Índia Priscila fotografada por Eber Myra

Vejam o que a Priscila, cabocla parida no Tapajós (Santarém/Pará, Amazônia, Brasil) falou sobre o ensaio fotográfico:

"A nudez nunca foi um problema pra mim. Sempre foi muito natural, pois ela esteve presente desde a minha infância. Nasci em Santarém, no Pará, bem no coração da Amazônia. Sou neta de pescadores. O clima e os costumes por lá são bem diferentes dos de São Paulo.

É comum as pessoas se banharem nuas nos rios. Cresci vendo minha tia andando só de calcinha pela casa e, para mim, estar nua é uma sensação de liberdade. Além disso, considero meu corpo uma obra de arte muito bela que não deve ficar escondida, mas sim mostrada para todos, da mesma forma que meus antepassados viviam antes da chegada do 'homem branco' na selva amazônica. Quando estou nua não sinto vergonha, pois aceito meu corpo como ele é, eu apenas me sinto como meus parentes distantes, que não tive oportunidade de conhecer.

Fui criada na beira do rio e isso influenciou muito a minha vida, pois eu vivia como meus antepassados, pescadores, em contato diário com o rio e com a natureza. Além disso, os avós dos meus avós eram índios, e a cultura indígena, seus valores e tradições, sempre estiveram presentes em nossas vidas.

Vim passar uma temporada em São Paulo e aproveitei essas fotos para retratar um pouco da história do meu povo, do qual muito me orgulho. Quando o Eber me convidou para posar pra ele eu fiz dois pedidos: para usar a pintura corporal de uma antiga tribo indígena do Pará, e que as fotos fossem feitas em meio à natureza, pois valorizo bastante a minha cultura amazônica, a minha região e as minhas raízes. Ele atendeu os meus pedidos, o que foi muito bom, pois sair de São Paulo e voltar para o meio da natureza me fez muito bem. Durante o ensaio me senti totalmente à vontade, como se estivesse no quintal da minha casa. Pra falar a verdade, não me senti posando para fotos, eu estava aproveitando o contato com a natureza, brincando com as árvores, com a água da cachoeira, a hora passou e eu nem percebi quando acabou".

Esse ensaio autoral foi muito importante pra mim, nele conseguimos retratar o dia-a-dia de uma índia em meio à natureza, onde a nudez ficou em segundo plano e a integração da Priscila com a natureza foi o ponto forte das fotos.